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VIP: Testamos: motor forte e boas de curva, novas Harley são ferozes

A Harley nasceu para rodar nas longas retas das freeways americanas — mas a linha 2018 chegou para mudar essa história

Por Fernando Cavalcanti, de Barcelona

Quando a Harley-Davidson escolheu a pequena cidade de Seva, escondida nas encostas dos Pirineus catalães, para lançar as novas Softails, não foi por acaso.

Nas sinuosas estradas que cruzam essas montanhas, as curvas se sucedem ad infinitum e quase não há retas com mais de 200 metros.

Seria um lugar inusitado para uma marca que por mais de 100 anos escolheu como seu habitat natural as longas retas das freeways americanas, certo? Errado. Foi uma escolha muito bem pensada.

A marca estava decretando ali, com um grito alto e forte, o fim do mito de que as Harley não fazem curva.

Foi um movimento ousado para apresentar mudanças tão profundas quanto polêmicas. Em 2018 saem de cena as icônicas Dynas, as preferidas por nove entre cada dez membros do motoclube na série Sons of Anarchy, e os modelos Street Bob, Fat Bob e Low Rider agora farão parte da linha Softail.

Essas motos, por sua vez, mudaram consideravelmente: ganharam um quadro completamente novo, mais rígido e leve, uma suspensão traseira monoamortecida inclinada com ajuste de pré-carga, tomada USB, conjuntos ópticos de LED, além, claro, de um novo visual.

As mudanças tentam, e em boa parte conseguem, harmonizar uma necessidade natural em evoluir com o DNA clássico Harley-Davidson.

Todas as novas Softails são agora impulsionadas pelo motor Milwaukee-Eight nas versões 1745 cc e 1868 cc, dependendo do modelo.

O motor, com balanceiro duplo, é fixado diretamente ao quadro e contribui para o aumento da rigidez estrutural.

Mesmo sem os coxins de borracha, os modelos novos vibram menos que os antigos. São oito novas Softails: as três que vêm da linha Dyna mais a Fat Boy, a Heritage Classic, a Deluxe, a Breakout e a Softail Slim. A Low Rider, uma das três herdeiras da família Dyna, não vem para o Brasil.

(Harley-Davidson/Divulgação)

Apesar de terem desagradado a um sem número de puristas, principalmente aos fãs declarados das falecidas Dyna, as motos ficaram muito mais gostosas de tocar e sem sombra de dúvida muito melhores de curva.

 

Na Catalunha

Para apresentar tantas novidades a Harley convidou jornalistas especializados do mundo todo para passar dias ziguezagueando com quatro dos novos modelos pelas montanhas catalãs.

Nossa rotina nessa viagem consistia em acordar, comer toneladas de jamón serrano no café da manhã, assistir a um pequeno briefing e depois pegar a estrada para fazer curvas e mais curvas, subindo e descendo encostas num caminho sinuoso por entre arbustos verdes e formações de rochas amarelas e vermelhas, até o sol se por.

De noite, beber litros de cerveja gelada e trocar impressões com os colegas sobre as novas motos. Nada mal, devo dizer.

Tínhamos a nossa disposição a Street Bob, a Fat Bob, a Heritage Classic e a Breakout. Logo de cara saí com a Fat Bob.

Tanque da Fat Bob (Pinterest/Reprodução)

Confortável de tocar e bastante estável, ela passou muita segurança mesmo com o chão molhado.

O motor tem torque de sobra para as saídas de curva e o pneu gordo e sulcado adere bem ao asfalto. Foi um belo começo para me familiarizar tanto com a nova moto quanto com as estradas locais.

Entre todas as novas Softails, a Fat Bob é a que mais impressiona. O novo design deixou a moto ainda mais agressiva do que já era.

Ficou também mais leve, ganhou suspensão invertida na dianteira, escapamento 2-1-2, um conjunto óptico completamente novo e um suporte de placa independente do para-lama.

A moto, que já era boa, ficou ainda melhor. Ela estará disponível no Brasil com ambas as motorizações.

Em grande parte, rodamos com o asfalto molhado por causa das chuvas constantes, o que no começo inspirou bastante cuidado.

Mas curva após curva fomos ganhando confiança e nos deixando levar até que a longa linha de motos que se seguia pela estreita estrada começou a se mover em quase perfeita harmonia, buscando as tangentes das curvas como um único animal vivo. Era um espetáculo bonito de se ver.

Se o céu não estava claro, o clima na região também não era calmo. A Catalunha estava prestes a votar num plebiscito, proclamado ilegal pelo governo central em Madri, se continuaria ou não a fazer parte da Espanha.

Por todas as partes, na beira da estrada ou nas varandas das casas nas vilas que encontramos pelo caminho, havia a bandeira da Catalunha e cartazes convocando a população a votar pela independência.

Outra coisa que não faltou no nosso caminho foram ciclistas. Eram centenas deles, que sozinhos ou em pelotões compartilhavam o espaço com carros e motos, mostrando que ainda temos muito a aprender no quesito convivência no trânsito.

A grande surpresa para mim foi a Street Bob, que ficou uma delícia. Dócil e precisa, seu conjunto é muito bem acertado.

Fazer curvas com ela é um prazer, apesar das pedaleiras recuadas rasparem no asfalto todo o tempo.

Redesenhada por Dais Nagao e disponível apenas com o motor de 1745 cc, nela nada sobra.

Seu estilo minimalista com certeza fará dela a nova queridinha dos customizadores. O painel agora é um pequeno detalhe digital incorporado ao suporte do guidão minisseca- sovaco.

Painel Digital da Street Bob (Harley-Davidson/Divulgação)

De tão discreto parece que não existe. É a que tem o menor preço entre os novos modelos.

Mais sóbria, a Heritage Classic emagreceu 17 quilos, perdeu quase todos os cromados e a faixa branca no pneu.

Em compensação, ganhou muita agilidade e desempenho. Para os que estavam familiarizados com o modelo antigo, parece até outra moto. Suas bolsas laterais agora têm chaves. Estará disponível apenas com o motor 1745 cc.

Se logo no começo saí vibrando com a Fat Bob, na hora da chuva eu estava justamente com a Breakout, que é sem dúvida uma das motos mais bonitas que a Harley já produziu, mas que tem uma ciclística quase que inversamente proporcional à sua aparência.

Para meu espanto, no entanto, ela agora também faz curvas e, ainda que debaixo d’água, me pareceu bastante segura naquela sinuosidade toda.

Bonita, sem dúvida, mas a ciclística ainda não é a ideal (Harley-Davidson/Divulgação)

 

A grande ausente no teste foi, claro, a Fat Boy, carro-chefe da marca. Presente somente em exposição, ela é bem mais bonita ao vivo do que aparenta ser nas fotos, principalmente pelo para-lamas traseiro remodeladão que deixa seu grosso pneu mais exposto.

Toda essa renovação foi um grande sopro de vida na Harley e ao que tudo indica não deve parar por aí, já que a marca prometeu apresentar 100 novos modelos nos próximos 10 anos.

Quem disse que em time que está ganhando não se mexe?

 

Testadas e aprovadas

Os quatro modelos que rodaram em Barcelona

BREAKOUT®

(Harley-Davidson/)

1868 cc | R$ 75,4 mil

 

FAT BOB®

(Harley-Davidson/Divulgação)

 

1745 cc e 1868 cc | A partir de R$ 58,9 m

 

STREET BOB®

(Harley-Davidson/Divulgação)

 

1745 cc | R$ 54,9 mil

 

HERITAGE CLASSIC®

(Harley-Davidson/Divulgação)

1745 cc | R$ 72,9 mil

Fonte: https://vip.abril.com.br/carros-motos/testamos-motor-forte-e-boas-de-curva-novas-harley-sao-ferozes/

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